Presidente de Portugal defende que nada se compara à Revolução dos Cravos e lembra protagonistas da democracia

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "nenhuma outra revolução ou golpe militar foram comparáveis" na História contempoânea, porque "nenhum outro império europeu moderno enfrentou todos estes desafios ao mesmo tempo em menos de 30 ou 40 anos"

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O Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa intervém na sessão comemorativa do 50º aniversário do 25 de abril de 1974, com os Chefes de Estado irmãos, cuja independência esteve ligada do 25 de abril em Lisboa, 25 de abril de 2024. MIGUEL A. LOPES/LUSA
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O Presidente da República defendeu hoje que nada na História contemporânea se compara ao 25 de Abril de 1974, pelas mudanças que implicou, num discurso em que lembrou os protagonistas da democracia portuguesa nas últimas cinco décadas.

“Por isso, é injusto comparar o incomparável, e esquecer os custos globais daquilo que vivemos, e até os custos da revolução, que só existiu porque a ditadura não soube ou não quis fazer uma transição, ao contrário da vizinha Espanha”, considerou Marcelo Rebelo de Sousa, na sessão solene comemorativa do 50.º aniversário do 25 de Abril na Assembleia da República.

Na sua intervenção, que durou perto de meia hora, o chefe de Estado evocou, embora sem os nomear, Ramalho Eanes, Mário Soares, Francisco Sá Carneiro, Álvaro Cunhal, Freitas do Amaral e Cavaco Silva, entre outros, ao falar dos antecedentes da Revolução dos Cravos e da estabilização do regime democrático.

Cada nome evocado suscitou aplausos distintos, ora mais à direita ora mais à esquerda, na Sala das Sessões, em que estavam presentes, numa das galerias, os antigos chefes de Estado António Ramalho Eanes e Aníbal Cavaco Silva.

“Muitos e muitos outros como eles batalharam e tantas vezes venceram. E outros batalharam e perderam, pouco ou muito. E alguns se desiludiram, no 25 de Abril, outros no 28 de setembro, outros no 11 de março, outros no verão quente, outros no crucial 25 de novembro, que acabou por definir o desfecho da revolução”, e ainda “outros ao longo dos últimos 50 anos”, referiu.

Neste ponto da sua intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa realçou que o 25 de Novembro de 1975 “a justo título, tal como a Constituinte e a Constituição, desde sempre foi pensado para integrar as celebrações de Abril, que só terminarão em 2026”.

“Assim a História, faz-se e refaz-se amiúde mais de baixos do que de altos”, observou.

Em seguida, o Presidente da República questionou: “E esses altos e baixos terão comparação com qualquer outro movimento político militar, social, na nossa história contemporânea, na história dos nossos parceiros europeus mais antigos ou dos nossos parceiros europeus mais recentes?”

“Não, não tem comparação. O 25 de Abril implicou ao mesmo tempo fim de um império de cinco séculos, fim de uma ditadura de cinco décadas, integração económica e política na hoje União Europeia e quatro mudanças de regime económico”, defendeu.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, “nenhuma outra revolução ou golpe militar foram comparáveis” na História contempoânea, porque “nenhum outro império europeu moderno enfrentou todos estes desafios ao mesmo tempo em menos de 30 ou 40 anos”.

“Nenhum dos nossos parceiros de Leste tivera impérios extraeuropeus nem vivera descolonização, com democratização, com integração europeia e quatro mudanças de regime económico como nós. Por isso, é injusto comparar o incomparável”, defendeu. ■

Agência Incomparáveis, com Lusa

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