“Decidir entre avançar no que é preciso fazer ou continuar sem respostas”

Dulce Kurtenbach, candidata do PCP pelo círculo de Fora da Europa

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Dulce Maria Simões Lopes Matias Kurtenbach
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Dulce Maria Simões Lopes Matias Kurtenbach tem 74 anos de idade e é portuguesa. É candidata pelo PCP a deputada à Assembleia da República pelo círculo de Fora da Europa.Conversamos com esta responsável sobre as suas propostas.

O que está a impulsionar a sua candidatura?

O que me motiva é a preocupação com a situação dos portugueses emigrados.

Como avalia o cenário político atual em Portugal?

Vivemos tempos complexos e de grande incerteza, não só em Portugal, como um pouco por todo o mundo. Em Portugal, e estas eleições são de capital importância, a opção que se coloca é a de decidir entre avançar no que é preciso fazer ou continuar sem respostas a velhos e crónicos problemas, fruto das opções políticas de sucessivos governos. Hoje a situação só não é mais grave porque a luta dos trabalhadores e a decisiva intervenção do PCP e da CDU, vencendo resistências e obstáculos, criaram as condições para defender, repor e conquistar direitos e rendimentos.

Precisamos de avançar. Precisamos de uma outra política. Precisamos de uma política centrada nas pessoas, nas suas vidas, na resolução dos seus problemas. De uma política que não empurre gerações inteiras de portugueses para o estrangeiro, mas que também não esqueça, nem vire as costas a todos quantos trabalham e residem fora do País. Portugal, os portugueses, os que vivem e trabalham dentro e fora do País, necessitam, merecem mais e melhor.

Que políticas pensa serem necessárias para a comunidade portuguesa que reside fora de Portugal?

Acima de tudo políticas de proximidade, que valorizem e reconheçam o papel das nossas comunidades emigrantes. Políticas que efetivamente vão ao encontro dos seus problemas, dos seus anseios, das suas reivindicações. Políticas que olhem para as nossas comunidades emigrantes como parte integrante de um Portugal que se quer desenvolvido e soberano.

Que dificuldades devem ser combatidas e que pontos merecem ser reforçados?

Insisto nesta ideia. Precisamos, as nossas comunidades emigrantes, necessitam de uma política de proximidade. Uma política que ao invés de fechar consulados, privilegiando a vertente económica da diplomacia, modernize a rede consular, adaptando-a, reforçando-a em meios – humanos, materiais e financeiros. Uma política que assegure aos portugueses, aos seus filhos, a todos os luso-descendentes o acesso ao ensino da Língua Portuguesa, eliminando a propina e assegurando o acesso gratuito aos manuais escolares, à semelhança do que hoje, por proposta do PCP, se pratica em Portugal. Uma política que olhe e entenda o Movimento Associativo Emigrante como importante espaço federador e socializador dos portugueses na diáspora, com um inestimável contributo de índole social, educativa, política, cultural e económica, apoiando-o e incentivando-o.

Que temas mais lhe chamam a atenção?

Da minha experiência, creio que existe um certo alheamento, um certo desinteresse, por parte das nossas comunidades emigrantes sobre a vida política nacional. Não desligo este sentimento, da sensação que temos, enquanto emigrantes, de um certo abandono por parte das políticas seguidas pelos sucessivos governos. Está a meu ver é das questões mais urgentes que temos de mudar. Uma outra questão é este sentimento de que “Portugal não vale a pena”, de que não é possível realizarmo-nos profissionalmente no nosso País, de que estamos condenados a ver sucessivas gerações de compatriotas nossos emigrar. É urgente infletirmos isto. É urgente criarmos condições para que emigrar seja um direito e não uma gravosa alternativa à falta de emprego e de emprego com direitos.

Quais são os seus objetivos?

Em primeiro lugar trazer para o centro do debate os problemas, os anseios, as preocupações das nossas comunidades emigrantes. Em segundo lugar chamar a atenção para a necessidade do voto na CDU, dar a conhecer e demonstrar porque as propostas, as soluções que temos para os problemas com que as nossas comunidades emigrantes se confrontam, são aquelas que efetivamente melhor lhes servem e que por isso, é na CDU que encontram a mais sólida garantia de verem resolvidos os seus problemas.

O que pode ser feito no sentido de se valorizar o trabalho consular português no estrangeiro?

Como já lhe referi, necessitamos de uma rede consular que corresponda aquilo que são hoje as efetivas necessidades das nossas comunidades emigrantes. Precisamos de abrir Consulados onde haja essa necessidade, em vez de fechá-los, sem nenhum critério como assistimos, por exemplo, no

governo PSD/CDS-PP.  Precisamos de mais funcionários nas Embaixadas e nos Consulados, mas atenção, não e só contratar mais funcionários dando-lhes salários que não correspondem muitas vezes ao custo de vida dos países onde residem. Estes trabalhadores precisam de contratos de trabalho com direitos, com garantias. Todos sabemos que a pandemia piorou o que já não estava bem, piorou uma situação que já era precária mas também nos mostrou que o contato direto é de extrema importância. A via digital ajuda, mas não pode ser a única solução de contacto, por parte da rede consular, com as comunidades portuguesas.

Qual a importância do movimento associativo português nos países de acolhimento?

O Movimento Associativo deve ser incentivado, repensado, apoiado, visto ser em si um foco de aproximação dos que se encontram longe da sua Língua, da sua Cultura. Ainda recentemente, e reconhecendo os efeitos da Pandemia, propusemos um apoio extraordinário que reduzisse o impacto económico e social da interrupção das atividades associativas. Infelizmente, para o Movimento Associativo, e para as nossas comunidades, esta proposta, à semelhança de todas as outras que fizemos neste âmbito, foi reprovada na Assembleia da República com os votos contra do PS e da IL e com a abstenção do PSD e do CDS.

O ensino da língua portuguesa deve sofrer alterações?

O ensino da Língua portuguesa deve ser gratuito, correspondendo ao preceito constitucional. Defendemos não só a abolição das propinas, como também entendemos que os manuais escolares devem ser gratuitos. Por outro lado, também entendemos que é fundamental contratar mais professores para o ensino de EPE, assegurando-lhes condições dignas de trabalho, que correspondam as suas expectativas, valorizando a sua profissão.

Que linhas pretende seguir em relação às comunidades portuguesas caso seja eleita?

Representar com responsabilidade as comunidades emigrantes. Trazer para a discussão pública as suas preocupações, os seus anseios. Construir em conjunto com estas, soluções para os seus problemas.

4O que a comunidade portuguesa deve esperar das eleições de janeiro?

Devemos encarar estas eleições como uma oportunidade. Uma oportunidade de mudança para uma vida melhor. Esta nas nossas mãos essa mudança. Com o reforço da CDU essa mudança é possível.

Por fim, que mensagem deixa para os eleitores?

Precisamos de políticas que se centrem nas pessoas e nos seus problemas. De propostas e soluções que correspondam as suas expectativas. A CDU não esquece, nem vira a cara a todos aqueles que estando fora de Portugal, acompanham e sentem o seu país. A CDU promete e cumpre. Vamos dar mais força a CDU. ∎

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