Paulo Pisco: “é preciso um novo olhar sobre a presença portuguesa no mundo”

“ir muito mais além na relação com as comunidades”

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Paulo Pisco
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Em janeiro, Portugal vai novamente a votos. E as comunidades portuguesas ganham especial relevância neste cenário eleitoral. Para saber como esse público é visto pelos candidatos, conversamos com o deputado Paulo Pisco, do Partido Socialista (PS), que quer renovar o seu mandato pelo Círculo da Europa.

Em entrevista à nossa reportagem, este responsável disse querer “ir muito mais além na relação com as comunidades”, destacou o papel do seu partido neste momento e sublinhou a importância da diáspora portuguesa no mundo.

Qual a importância da diáspora portuguesa nas eleições de janeiro?

Portugal vai para eleições no próximo dia 30 de janeiro. Estas são umas eleições muito importantes porque vão permitir clarificar a relação de forças na Assembleia da República depois do inusitado chumbo do Orçamento de Estado para 2022. E as comunidades serão chamadas a pronunciar-se, a votar, por via postal e sem custos de selo, com o envelope com o voto que chegará as suas casas.

Como avalia o atual cenário político português?

Os tempos são conturbados. Estas eleições foram forçadas pelos partidos da oposição, que sem sentido da responsabilidade nem do bem comum optaram por provocar a dissolução da Assembleia da República, criando desnecessariamente incerteza e instabilidade. O Partido Socialista parte para estas eleições com listas estáveis e candidatos que têm provas dadas sobre o conhecimento e proximidade em relação às comunidades, que conhecem bem, tal como os seus anseios. O PS sempre foi um partido reformista nas comunidades portuguesas, desbravando novos caminhos, valorizando-as e procurando reforçar sempre mais os laços entre o país e quem vive no estrangeiro. É o que vamos continuar a fazer.

Quais os objetivos eleitorais do partido?

Os candidatos partem para estas eleições com o firme propósito de fazer uma campanha com elevação, que respeite os adversários políticos e apresente propostas que reflitam bem a realidade das comunidades portuguesas, que são as que constam do nosso manifesto eleitoral, mas que vão também muito para além delas.

E qual a vossa estratégia para as comunidades portuguesas?

Nas comunidades é preciso um novo olhar sobre a presença portuguesa no mundo. Ir para além da dimensão tradicional das políticas públicas assentes no atendimento consular, ensino de português no estrangeiro e movimento associativo e descobrir novos caminhos, sem deixar de reforçar e aprofundar os mais tradicionais. Os candidatos do Partido Socialista têm bem presente que as comunidades mudaram muito. Inclusivamente, aqueles a quem hoje muitos ainda continuam a chamar emigrantes, na realidade já não o são, pelo que é preciso corrigir esta perceção. E, ao corrigir esta perceção, estaremos também a criar novas possibilidades de políticas públicas mais fortes que vão ao encontro da presença portuguesa no mundo. Junto de jovens e menos jovens que, sendo elementos relevantes das comunidades, sempre estiveram mais ou menos invisíveis. É o caso de portugueses e lusodescendentes com um papel de destaque no empreendedorismo, que dignificam o nome de Portugal através da sua atividade inovadora em start ups de sucesso. É também o caso de todos os artistas e criadores que merecem mais atenção e a promoção do seu virtuosismo. É o caso nunca devidamente debatido nas comunidades das questões relacionadas com a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens e da luta contra a violência doméstica. É o caso dos quadros de empresas, dos investigadores e cientistas que ombreiam com os melhores do mundo e mantêm uma presença discreta em empresas, centros de investigação ou universidades. É o caso desse potencial gigantesco para o aprofundamento das relações bilaterais com tantos países espalhados pelo mundo que representam os eleitos de origem portuguesa, seja em parlamentos nacionais ou estaduais ou a nível local. É o caso de tantos desportistas e talentos em diversas áreas. Por isso, mantendo a necessária e obrigatória atenção a todos os portugueses que há várias gerações emigraram, é necessário dar uma atenção acrescida a esta realidade cada vez mais rica e variada que é a presença portuguesa no mundo, fazendo de Portugal essa nação grande, que se estende muito para além das nossas fronteiras.

Ígor Lopes  ∎

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