O melhor traje para 2022

"tenho convidado a todos os meus colegas, conhecidos ou apenas seguidores das redes sociais a se trajarem de forma mais adequada a este ano"

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Juliana Martins, Professora de Direito Ambiental e Advogada Ambientalista
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2022 é um ano que exigirá doses ainda maiores de resiliência e enfrentamento às adversidades socioambientais no Planeta Terra.

Embora ainda poucos dias neste novo ano, já defini que precisamos reajustar as velas dessa travessia ou ficaremos à deriva.

Digo isto porque a vontade de recuperar os danos socioambientais ou evitá-los, sobretudo por movimentos sociais, também conhecidos no Brasil por organizações do terceiro setor está sendo marcada pelo desânimo, pelo grito dos problemas, das injustiças, das desilusões.

Nas minhas aulas ou orientações. não recebo pedidos animadores de pessoas empolgadas, apoiadas em belos exemplos para percorrer o caminho de enfrentamento às lesões individuais e coletivas.

Pelo contrário, recebo uma avalanche de notícias sobre factos ou processos judiciais repletos de violações aos direitos sem uma constante e eficiente mobilização para resolvê-los.

Parece que até onde o coletivo é a tónica, cuidar do outro ainda é cansativo, quase esquecido.

Por isso, tenho convidado a todos os meus colegas, conhecidos ou apenas seguidores das redes sociais a se trajarem de forma mais adequada a este ano.

Qual o traje?

O da multiplicação dos pães, isto é, dos casos de sucesso que inspiraram e inspiram.

Onde o compro?

Em toda cidade, grupo de amigos ou rede sociais deve haver um (quem sabe até em algum NFT!).

Quando o entregam?

No minuto após o seu conhecimento. É só questão de ouvir, ler, ver.

Quer um exemplo?

Em São Paulo, temos o Parque Augusta, parque criado de forma surpreendente, liderado por movimentos sociais em conjunto com entidades públicas, com uma junção de aprendizados por diferentes áreas, de finanças a marketing, além, é claro, do jurídico. Isto é uma mostra de como trabalhar na efetividade de direitos, permitindo mais vida digna aos moradores e turistas do local.

Nos Açores, por sua vez, o recente Prémio da Traveller Review Awards 2022, decidido por clientes em uma plataforma de hotelaria, colocou Ponta Delgada no topo das cidades mais acolhedoras do mundo. Isso é uma mostra do cumprimento de diferentes deveres socioambientais como a Montanha Pico Festival assinalou ao apresentar o turismo sustentável na Ilha, permitindo mais vida digna aos moradores e turistas do local.

Vamos repetir o que está a dar certo?

Vamos lembrar disso constantemente?

Vamos adaptar a outros casos, conflitos, dilemas?

Afinal, teremos um longo ano pandémico pela frente. E as notícias que nos reservam são desafiantes. Apenas em poucos dias de 2022 já há ameaças de guerra, alterações no clima, morte de pessoas, cidades, empresas e turismo em diferentes estados brasileiros em função de chuvas torrenciais, receio do aumento de inflação global, enfim, avalanche de danos por todos os lados.

Por isso, sugiro que cada um vista este novo traje para 2022 e não o retire até a festa de Réveillon que se vislumbra.

Lá na frente, escolhemos outro.

Mas, isso já será tema de outro artigo.

Até lá! ■

Juliana Martins

Professora de Direito Ambiental e Advogada Ambientalista

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