Flávio Martins incentivou “voto de pesar” pelas vítimas do Rio Grande do Sul na Assembleia da República portuguesa

Deputado luso-brasileiro reforçou que o vice-consulado de Portugal em Porto Alegre e os consulados honorários de Pelotas e de Rio Grande “estão atentos” ao cenário de caos instalado depois das fortes chuvas no estado gaúcho

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Flávio Martins, deputado luso-brasileiro, em atuação pelo círculo de fora da Europa
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A Assembleia da República portuguesa vai votar um “Voto de Pesar” pelas mortes e expressar a sua solidariedade com todas as vítimas da “imensa tragédia ambiental” no Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil. O projeto foi apresentado pelo deputado luso-brasileiro Flávio Martins, eleito para atuar na Assembleia da República portuguesa pela emigração pelo círculo de fora da Europa. O “Voto de Pesar” visa também destacar o cenário de caos instalado nesse estado brasileiro após as enchentes causadas pelas fortes chuvas no início de maio, quando várias cidades foram destruídas e mais de uma centena de pessoas perderam a vida.

Flávio Martins recorda que mais de 400 municípios foram afetados, tendo a economia local sofrido graves paralisações e que “existe uma previsão de que serão necessários, pelo menos, três meses para começar a retomada de alguma normalidade social, económica, desportiva e cultural”.

“Para além dos graves danos materiais, há perda de vidas, de histórias e do registo de memórias afetivas: inúmeras famílias, bairros e até cidades tiveram a sua rotina alterada para sempre e as estruturas de transporte, de abastecimento, de saúde, de educação e outras encontram-se seriamente danificadas ou paralisadas. Acrescente-se, por fim, que mais de 12 mil animais foram resgatados e um número incalculável acabou por morrer”, frisou este deputado, que sublinhou que a capital gaúcha, Porto Alegre, conta com forte influência portuguesa, desde a sua fundação por comunidades açorianas há mais de 250 anos, e cujo presidente da Câmara é lusodescendente, estando esta cidade com boa parte do seu território submerso, como, por exemplo, o Aeroporto Internacional Salgado Filho.

“Para além desse município há outros com forte presença da comunidade portuguesa que passam por essa tragédia, como Gravataí, Viamão, Guaíba, Farroupilha, Bento Gonçalves, Ijuí, Pelotas e Rio Grande. As nossas comunidades, plenamente integradas à sociedade sul riograndense, também foram afetadas por esta tragédia”, contou este deputado, que referiu que o vice-consulado de Portugal em Porto Alegre e os consulados honorários de Pelotas e de Rio Grande “estão atentos a esses problemas, cujos efeitos interferirão até mesmo na participação cívica na eleição ao Parlamento Europeu, dia 9 de junho”.

“É necessário referir que as nossas Associações que, de uma forma incansável, têm contribuído na campanha de acolhimento solidário, como a Casa de Portugal de Porto Alegre, Casa dos Açores em Gravataí, Centro Português 1º de dezembro (de Pelotas), Sociedade Portuguesa de Beneficência em Pelotas, Centro Português (de Rio Grande) e Centro Cultural Português de Ijuí. A população afetada do Rio Grande do Sul, na qual está inserida a nossa comunidade portuguesa, merece toda a nossa solidariedade e, pelos que faleceram, o nosso pesar”, finalizou Flávio Martins.

Dados recentes da Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul, em constante atrualização, apontam, no boletim do dia 22 de maio, que há 467 municípios afetados, existem mais de 68 mil pessoas em abrigos, mais de 581 mil pessoas estão desalojadas, tendo mais de duas milhões de pessoas afetadas pelas enchentes. 806 pessoas estão feridas, há 82 desaparecidos e o número de óbitos confirmados é de 161. Contudo, mais de 82 mil pessoas foram resgatas e mais de 12 mil animais também foram encontrados com vida pelas equipas de resgate, que contam com mais de 27 mil pessoas no terreno, além da população civil.

O Rio Grande do Sul, estado brasileiro mais meridional e com uma rica história comum com as comunidades portuguesas, está a ser assolado pela maior tragédia climática da história do Brasil, decorrente da união de fatores climáticos e humanos que provocaram inundações extremas e um prejuízo à economia da região já estimado em, pelo menos, 20 mil milhões de euros. ■

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