Empresário lusodescendente espera nível da água baixar para avaliar prejuízos em restaurante tradicional no Sul do Brasil

João Alberto Cruz de Melo é proprietário do restaurante “Gambrinus”, considerado o mais antigo do Rio Grande do Sul e um dos mais antigos do país, sendo conhecido pela aposta na gastronomia portuguesa e internacional; Cerca de 20 funcionários trabalham no local

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João Alberto Cruz de Melo tem 45 anos de idade e é lusodescendente
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Um dos restaurantes portugueses mais tradicionais do Brasil, “Gambrinus”, é um dos estabelecimentos fortemente atingidos pelas enchentes em Porto Alegre, no Sul do Brasil, devido as fortes chuvas que se fazem sentir na região nas últimas semanas. O restaurante está localizado no mercado público na capital gaúcha e é considerado o mais antigo do Rio Grande do Sul e um dos mais antigos do país, sendo conhecido pela aposta na gastronomia portuguesa e internacional.

Fruto de herança familiar, João Alberto Cruz de Melo, de 45 anos, é hoje proprietário do local, que conta com cerca de 20 funcionários. Este empresário nasceu em Porto Alegre, mas é filho de portugueses. O seu pai, natural de Pedaçães, no norte de Portugal, próximo à Águeda, no distrito de Aveiro, deixou Portugal em 1951, trazendo a família, os irmãos, para esse país sul-americano. Chegaram primeiro ao Rio de Janeiro e, depois, foram para o Rio Grande do Sul.

“É uma herança do meu pai, de família, e do meu tio, que deixaram para mim. Os dois já faleceram”, conta este empresário, que é casado, não tem filhos, é formado em Administração de Empresas, conta com especialização em Gestão de Negócios, Empreendedorismo e Marketing e é, ainda, especialista em Alimentação Fora do Lar.

“Quanto ao meu negócio, o restaurante Gambrinus, localizado no mercado público, como é um restaurante centenário, tradicional está totalmente alagado, assim como o Centro Histórico de Porto Alegre, pois o restaurante também faz parte desse Centro Histórico. A última medição conta com 1,70m de água dentro do restaurante, dentro do mercado público. E a água vem baixando lentamente, desde o meio da semana para cá”, referiu João, que afirmou que já conseguiu contactar todos os funcionários do estabelecimento. Estão todos a salvo, porém, sabemos que três desses funcionários perderam toda a sua casa na cidade de Canoas, outro na cidade de Eldorado do Sul e outro na ilha da Pintada”.

“Mas todos estão bem, todos já estão em casa de parentes, já estão a salvo”, reforçou este lusodescendente, que espera agora o nível da água baixar no Centro para poder realizar uma vistoria no restaurante, “ver o que aconteceu, o que se perdeu”, entretanto, João acredita que, “como já tem bastante tempo em baixo da água, os móveis, mesas e cadeiras já devem estar destruídos, praticamente, pois já tem mais de uma semana debaixo de água”.

Restaurante “Gambrinus”

A partir desse momento, este empresário pretende “iniciar uma limpeza, avaliar os prejuízos e reprogramar a abertura, contratar todo mundo e tentar voltar a vida”.

“Não vai ser fácil”, comenta João, que diz que a ajuda do governo federal do Brasil ainda não é relevante, que houve apenas a prorrogação do pagamento de alguns impostos, mas “essa prorrogação, na verdade, não ajuda, porque acaba que temos que continuar a pagar”. João espera que sejam disponibilizadas linhas de crédito a fundo perdido, ou com juros mais em conta, para recomeçar.

Situação complicada

João explicou à nossa reportagem que “Porto Alegre está numa situação bem complicada e de calamidade total, como nunca visto, embora a cidade tenha enfrentado uma grande enchente em 1941, mas que teve proporções menores do que esta”.

Este lusodescendente revela que vive numa zona alta de Porto Alegre, no bairro Jardim Carvalho, que é uma zona bem alta de Porto Alegre, próximo ao Morro Santana. Uma zona que não foi afetada por alagamentos, mas que está sem água, porém, não houve corte de energia.

Dentro deste cenário, o ponto positivo fica por conta, segundo João, “da solidariedade do povo gaúcho e do povo brasileiro”.

“Essa solidariedade é muito maior do que qualquer governo. Até mesmo o pessoal de Portugal tem mandado muitas mensagens boas. Aqui a gente tem o contacto com o outro lado do oceano, que é a nossa terra de origem. Então a gente busca muito saber o que acontece no mundo inteiro e a gente vê uma solidariedade mundial. Isso é muito bonito e muito bacana”, finalizou João de Melo. ■

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