Décima edição do Fliaraxá terminou com grande sucesso nas redes sociais

Somente on-line, este Festival alcançou mais de um milhão de pessoas

0
194
“Abolição, Independência e Literatura” foram os temas deste ano
- Publicidade -

Chegou ao fim no dia 15 de maio, no Brasil, o 10.º Festival Literário de Araxá – Fliaraxá –, que trouxe à pauta temas como preconceito, independência e o papel da literatura como forma de denúncia do status quo da Abolição da Escravatura, que completou 134 anos no dia 13 de maio de 2022.

Foram mais de 150 atividades, entre eventos on-line e presenciais, que tiveram como tema norteador “Abolição, Independência e Literatura”. Aconteceram 26 mesas de debate exibidas de forma virtual, reunindo um total de 59 escritores, dentre eles, 36 autores e intelectuais negros fundamentais no contexto histórico e contemporâneo.

O Fliaraxá deixou um legado de cultura e conhecimento para todos os que compareceram ao evento, seja de forma on-line, seja presencial, para a cidade de Araxá, no Brasil, e também para os alunos das escolas públicas que participaram do concurso de redação. Mais de um milhão de pessoas acompanharam o evento pelas redes sociais e mais de três milhões de impressões foram registadas nas redes sociais. Presencialmente, 35 mil pessoas estiveram nos três espaços montados pelo Festival em diferentes pontos de Araxá.

Afonso Borges, idealizador e curador do Fliaraxá, acredita na força do Festival e na mensagem que foi apresentada este ano contra o racismo, contra a violência de género e contra a desigualdade.

“Eu acredito no poder e na força do povo negro em toda a sua diversidade. Que tudo que a gente viveu aqui se transforme em política. Em política de leitura, em política de igualdade social e racial. Que a questão do racismo possa, em algum ponto dessa curva que a história brasileira fez para contornar a história do povo preto, se encontrar lá na frente com a história brasileira”, comentou Afonso Borges em referência à história oficial ser retratada pelas elites que relegaram o povo negro ao esquecimento.

Tom Farias, curador do Festival, no encerramento do evento agradeceu a cidade de Araxá pelo acolhimento e ressaltou as lições deixadas pelo Festival.

“Mais do que decorar, a gente precisa aprender as lições, e acho que o Fliaraxá aprendeu uma lição nestes dez anos ao trazer a diversidade, o diálogo, a diferença, com homens negros e mulheres negras partilhando de um espaço nobre de discussão, falando de igual para igual”, finalizou.

Homenageados

Este ano, a Patrona do Fliaraxá foi a escritora maranhense Maria Firmina dos Reis, na passagem do bicentenário de seu nascimento (1822-2022). Ela foi a primeira mulher negra a escrever um romance contra a escravidão e contra a subalternização da mulher negra no contexto da Independência do Brasil, que também completa 200 anos.

Autora de Úrsula, Firmina foi uma mulher à frente do seu tempo e, já naquela época, trazia à cena questões que ainda hoje estão presentes em nossa sociedade e precisam ser faladas para, só assim, serem combatidas.

O Escritor Homenageado desta edição foi o baiano Itamar Vieira Júnior, uma das revelações da literatura brasileira dos últimos anos, com o seu livro Torto arado, que foi um dos mais vendidos de 2021. Vencedor de vários prémios literários, Vieira Júnior destaca-se não somente pelo número de livros vendidos, mas pela defesa das diferenças em um país multirracial e pela produção literária que dialoga com questões nacionais e também do Continente Africano, de onde se originou grande parte da nossa população.

“Sempre que eu falo da escrita do livro, do que me incentivou a escrever [Torto arado], penso que a literatura brasileira foi fundamental para que eu refletisse sobre a história. Nesse sentido, vejo aproximações entre Torto Arado e Úrsula, principalmente quando a Maria Firmina dá voz a essas personagens negras e narra parte da história a partir da perspetiva delas. Essa era uma preocupação que eu tinha, que não fosse a escrita de um narrador distante. Para mim, essa história só faria sentido se fosse contada a partir da perspetiva dessas personagens”, mencionou Itamar Vieira Júnior.

Fliaraxá em números

O Festival Literário de Araxá deixa um importante legado de leitura e conhecimento a quem de alguma forma se dispôs a conhecer novos autores e a abrir a cabeça para outras formas de pensar por meio da literatura.

Ainda assim, os números do Fliaraxá impressionam pela sua grandiosidade e por provar que não é só a matemática pura e simples, mas que, por trás dela, existem pessoas que valorizam a literatura e têm sede de conhecimento.

Este ano, foram contabilizados os números de pessoas que participaram presencialmente e de forma virtual do evento pelos canais oficiais do Fliaraxá. Foram oferecidas 155 atividades, entre elas, mesas de debate, lançamento de livros, oficinas de slam, contação de histórias, exposições, atrações musicais e espaço gastronómico.

O público presente no evento, somando os três espaços de apresentação – Barreiro, Teatro Municipal Maximiliano Rocha e Parque do Cristo –, totalizou 35 mil pessoas. E, para acomodar tanta gente respeitando os protocolos sanitários da pandemia, foram disponibilizados 1.870 m² de área coberta e 65 toneladas de equipamentos e de estrutura.

Durante os cinco dias do evento, aconteceram 129 atrações presenciais, com destaque para os autores que estiveram presentes em Araxá (53), lançamento de livros (42) e atividades infantis (19).

As atrações on-line também contribuíram para a grandiosidade do evento. Foram 26 mesas de debate montadas de forma virtual, com 59 escritores, dentre eles, 61% de autores negros.

Destaque também para as autoras negras que engrandeceram os debates com os seus livros e as suas ideias. Conceição Evaristo, uma das escritoras convidadas desta edição, resume a importância de dar às mulheres negras o lugar de fala, que é muitas vezes deixado à margem.

“Enquanto a nossa voz não for ouvida, não for valorizada, não vamos conseguir uma mudança. Porque há uma diferença muito grande entre falar e ser ouvido”, enfatizou Conceição Evaristo.

Como não poderia faltar num evento literário, foi montada uma grande livraria com 800 m² e 20 mil exemplares foram colocados à venda.

As transmissões virtuais permitiram que pessoas geograficamente distantes de Araxá pudessem viver um pouco do clima do Festival e participassem nas mesas e nos debates. Foram exibidas 90 horas e 42 minutos de vídeos durante os cinco dias do evento, sendo que 28 horas foram de transmissão ao vivo e 7 horas e 20 minutos de transmissões inéditas que haviam sido gravadas previamente. Entre as lives, foram exibidas 22 horas da programação do Sempre um Papo e 32 horas e 22 minutos do Acervo da Madrugada.

Nas redes sociais, o Fliaraxá alcançou mais de um milhão de pessoas (1.036.932), que acompanharam o Festival pelo Facebook, Instagram, Twitter ou Youtube. Essas redes somaram três milhões de impressões.

Somente no Facebook, o Festival alcançou 18.600 seguidores, foram 16.182 no Instagram, 1.589 seguidores no Twitter e 4.690 inscritos no Youtube, totalizando 2.300 espectadores nos dias do Festival. O site oficial também foi bastante requisitado para quem buscava informações sobre o evento e sua programação. Foram 39.894 visualizações de páginas do dia primeiro de maio até o término da programação no dia 15.

Para que todas essas atividades acontecessem, foram cerca de 300 profissionais envolvidos, gerando empregos diretos e indiretos, além de levar turistas para Araxá e fortalecer a economia local. ∎

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui