Brasil: Entidades com sede em Coimbra assinaram no Senado brasileiro acordo para “valorizar a língua portuguesa”

Um dos desdobramentos do acordo é o desenvolvimento de projetos da Casa da Cidadania da Língua, inaugurada em outubro de 2023, em Coimbra, Portugal

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Fortalecer as relações entre Brasil e Portugal estão em pauta no novo documento
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O Senado Federal do Brasil, a Câmara Municipal de Coimbra e a Associação Portugal Brasil 200 Anos assinaram, no último dia 16, um acordo de cooperação técnica para a valorização da língua portuguesa e o fortalecimento das relações entre Brasil, Portugal e os demais países lusófonos. Um dos desdobramentos do acordo é o desenvolvimento de projetos da Casa da Cidadania da Língua, inaugurada em outubro de 2023, em Coimbra, Portugal.

O presidente do Senado do Brasil, Rodrigo Pacheco, que foi a Coimbra para inauguração da Casa da Cidadania da Língua, destacou que a parceria no campo cultural pode colaborar para enfrentar casos de xenofobia e reforçar os laços entre os países.

“A ideia de lusofonia ainda é vista com desconfiança em alguns círculos devido a assimetria entre os países lusófonos e ao passado colonial que caracterizou a difusão do idioma pelo mundo. A formalização do acordo se dá em um contexto de fortalecimento de perceção de xenofobia entre Brasil e Portugal e críticas ao abrasileiramento da língua portuguesa, por exemplo. Aqui estamos a celebrar mais um evento coroando essa extraordinária relação que tem Brasil e Portugal”, disse Pacheco.

Para o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, José Manuel Silva, a ligação profunda entre Brasil e Portugal e o desejo de incluir todas as nações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é o mote desta nova relação entre os dois países.

“Reiteramos o acordo para continuarmos a desenvolver o conceito de cidadania da língua. É um conceito inclusivo que abraça todos e todas e quer envolver todos os países de língua portuguesa. Pretendemos aprofundar as relações culturais, sociais, a economia, mas sobretudo as relações de amizade e o cultivo de uma língua que nos une”, reforçou Silva.

Por seu turno, o fundador-presidente da Associação Portugal Brasil 200 Anos, José Manuel Diogo, disse acreditar que o intercâmbio cultural é um caminho importante para enfrentar preconceitos.

“Hoje, mais de 700 mil cidadãos brasileiros moram em Portugal, onde há muitas questões, às vezes mais de notícia do que de facto, sobre problemas como xenofobia. Isso nos obriga a sermos assertivos. Tem que haver uma aproximação da cultura, do conhecimento mútuo da cultura de Portugal e do Brasil para que esses problemas se diluam. É um movimento histórico de descolonização”, apontou José Manuel Diogo.

Segundo apurámos, o acordo tem entre os objetivos “a cooperação técnico-científica e cultural e o intercâmbio de conhecimentos, informações e experiências para a promoção de publicações literárias e académicas e atividades culturais e científicas”. O foco é ainda a “valorização, reconhecimento e difusão da língua portuguesa como um veículo de integração e expressão cultural”, entre outros temas.

As metas incluem pelo menos dois eventos culturais anuais que celebrem a diversidade da lusofonia, incluindo festivais, exposições e concertos; programas académicos que alcancem pelo menos 500 participantes por ano; e a publicação anual de pelo menos duas obras literárias ou académicas de relevância em língua portuguesa. Também está prevista a cooperação na organização de pelo menos uma conferência internacional, o desenvolvimento de uma plataforma tecnológica online para a promoção da língua portuguesa e um programa específico para apoiar e promover a obra de escritoras lusófonas, buscando a igualdade de género no campo literário e cultural.

Recorde-se que a Casa da Cidadania da Língua tem a proposta de ser um espaço para “debater, estudar, abrir fronteiras e criar uma nova relação entre os países de língua portuguesa, com uma abordagem descolonizadora”. A ideia de “cidadania da língua” é, segundo os seus responsáveis, “dar um sentido de pertencimento e identidade para além dos territórios e fronteiras legais e trazer reflexões sobre a necessidade de reconhecer a diversidade de tons, acentos e histórias do idioma e dos falantes do português”. ■

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