Academia Portuguesa de Fibromialgia vai defender “caráter neurológico” da doença

Nova Academia, que tem a sua sede instalada na Associação de Diabéticos da Serra da Estrela, terá a função de um “centro pedagógico-documental”

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Prof. Dr. José Luis Arranz Gil, presidente-fundador da Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica
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A Fibromialgia é uma “doença neurológica com manifestações variadas, inclusive reumatológicas”. Foi o que defendeu o Prof. Dr. José Luis Arranz Gil, presidente-fundador da Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica, durante o discurso de apresentação pública desta entidade no último dia 16 de julho, na Covilhã, região Centro de Portugal.

A cerimónia, que serviu de cenário para a tomada de posse dos órgãos sociais da Academia, decorreu nas instalações da Associação de Socorros Mútuos Mutualista Covilhanense e contou com a presença de um grande público, incluindo o vice-presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Armando Serra dos Reis; o presidente da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, Prof. Dr. Miguel Castelo-Branco Sousa, que representou Carlos Cortes, Bastonário da Ordem dos Médicos em Portugal; o presidente da União das Freguesias de Covilhã e Canhoso, Carlos do Carmo Martins; o presidente da Associação de Diabéticos da Serra da Estrela, Victor Fazendeiro; o presidente da Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor, João Marques; além de outras personalidades portuguesas e estrangeiras, bem como representantes políticos, professores, académicos e pacientes em tratamento. Houve ainda uma mensagem de agradecimento pelo convite por parte da Bastonária da Ordem dos Enfermeiros de Portugal, Ana Rita Pedroso Cavaco.

“Hoje é um grande dia, em primeiro lugar, porque existe uma ideia há muito sonhada que finalmente colocamos em prática e que se torna realidade: a de ter um instrumento pedagógico-documental de defesa das pessoas que sofrem de fibromialgia, síndrome da sensibilidade central e dor crónica. A Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome da Sensibilidade Central e Dor Crónica nasceu com a vocação de ser uma sociedade científica com carácter pedagógico-documental, onde se reunirão académicos que, com dedicação, rigor científico e correção metodológica, aprofundam o estudo do conhecimento da fibromialgia, síndrome da sensibilidade central e dor crónica, com o objetivo de tratar, ajudar, compreender e cuidar das pessoas que sofrem com esta enfermidade”, disse o Prof. Dr. José Luis Arranz Gil, que ressaltou também que esta nova entidade irá atuar na defesa de um novo paradigma, com uma forte aposta no esclarecimento público, e diante das autoridades competentes, de que esta doença tem caráter neurológico.

“Existe a necessidade de mudar o atual paradigma da Organização Mundial da Saúde em vigor desde 1992, que defende a pertença da fibromialgia à epígrafe das doenças do sistema musculoesquelético e do tecido conjuntivo-código M79.7, e a classificação da Associação Internacional para o Estudo da Dor com o código X33.X8a e substituí-lo pelo Paradigma Neurológico. Nos últimos tempos, a maioria dos cientistas e pesquisadores que lidam com o assunto postulam como a origem mais plausível da fibromialgia uma alteração funcional do processamento de sinais, doloroso e não doloroso, no Sistema Nervoso Central, o que implica numa amplificação de sinais sensoriais, a Síndrome de Sensibilidade Central”, comentou este especialista.

A nova Academia, que tem a sua sede instalada na Associação de Diabéticos da Serra da Estrela, terá a função de um “centro pedagógico-documental”.

“Pedagógico: porque nela, todas as pessoas, com conhecimentos, ideias próprias, e sobretudo inovadoras, e uma vasta experiência no domínio da fibromialgia, assim como investigadores, podem partilhar os seus conhecimentos. Documental: porque será criado um arquivo documental dotado de profissionais de arquivo e de biblioteca, no qual serão reunidas todas as informações dispersas pelo mundo que versem sobre a fibromialgia, a síndrome de sensibilidade central e a dor crónica”, explicou o Prof. Dr. José Luis Arranz Gil.

Ainda durante o evento, foi disponibilizado, por Alfred Blasi, autor do livro “Mi lucha contra la fibromialgia”, acesso gratuito a um dos principais bancos de dados de ADN no que toca à fibromialgia.

Apoio ao desenvolvimento dos projetos

Durante a cerimónia, o presidente-fundador da Academia reiterou o desejo de ver o Centro de Portugal mais empenhado em contribuir para o combate à doença, o que motivou a que sugerisse à autarquia covilhanense que se juntasse ao lema: “Covilhã, cidade com a fibromialgia”.

No âmbito da sua intervenção, o vice-presidente da Câmara Municipal da Covilhã respondeu positivamente ao repto e reforçou a atenção do município ao tema. Este responsável agradeceu o trabalho feito na cidade pelo profissional de medicina e pela Mutualista Covilhanense e referiu que “podem contar que a cidade da Covilhã será a cidade com a fibromialgia”.

O Prof. Dr. Miguel Castelo-Branco Sousa, por sua vez, avançou que a Faculdade que lidera mantém-se disponível para contribuir com esta iniciativa.

Já Nelson Silva, presidente da direção da Mutualista Covilhanense, anunciou que estão previstos novos investimentos para o crescimento da instituição e que o combate à fibromialgia tem espaço nos serviços prestados pela entidade.

O Prof. Dr. José Luis Arranz Gil é médico de origem espanhola, mais precisamente Basco, atua como diretor fundador da Unidade de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica na Mutualista Covilhanense e é professor da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (UBI), também na Covilhã.

Somente na Covilhã, no âmbito da Unidade de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica na Mutualista Covilhanense, o Prof. Dr. José Luis Arranz Gil realizou 1500 consultas ao longo deste primeiro ano e meio da sua atividade na entidade, com mais de 80% de casos de “êxito total”, no tratamento da doença.

Em novembro de 2021, o Prof. Dr. José Luis Arranz Gil iniciou funções como responsável pela referida unidade, tendo alcançado, em junho deste ano, a marca de 200 atendimentos a pacientes que procuram esta especialidade na Covilhã. Um serviço que, segundo a Mutualista Covilhanense, é pioneiro em Portugal, já que é “a única do país dedicada em exclusividade ao tratamento da doença”, e que tem recebido doentes dos “quatro cantos do país”.

Durante este período, este profissional da área da medicina participou e realizou eventos que discutiram a doença e a importância do seu tratamento como forma de melhorar a qualidade de vida dos doentes. Fruto da sua larga experiência internacional, profissional e académica, surge agora a Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica, cujos órgãos sociais contam com a seguinte formação: ASSEMBLEIA GERAL: Nelson Silva, presidente; Paula Pio, vice-presidente; Luís Nave, secretário da Assembleia Geral; CONSELHO FISCAL: Vasco Lino, presidente; Júlio Santin Fernandez, vice-presidente; Alexandre José Piteira Tourrinha, vogal; DIREÇÃO: Otília da Encarnação Tourrinha, vice-presidente; Maria Helena da Costa Antunes, vice-presidente; Carlos Figueiredo da Silva, vice-presidente da Direção; João José da Conceição Morgado, vice-presidente da Direção; e Prof. Dr. José Luis Arranz Gil, presidente.

Portugal é, segundo dados oficiais, o segundo país do mundo a apresentar casos de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica, com uma prevalência de 3,7% da população.

“O que pretendemos com esta Academia? A melhoria da qualidade de vida, a cura e o alívio dos doentes que sofrem destas patologias. É necessária uma maior compreensão da doença por parte da sociedade em geral e dos profissionais na área da saúde em particular, pois, muitas vezes, desdenham, não valorizam e maltratam os doentes, não acreditando ou compreendendo que estes sofrem muito com esta enfermidade”, finalizou o Prof. Dr. José Luis Arranz Gil. ■

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