Fadista Maria Alcina celebra em maio 60 anos de carreira no teatro carioca Rival Refit

Fadista Maria Alcina em cena

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Fado faz parte da vida da cantora
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O Teatro Rival Refit, localizado no Centro do Rio de Janeiro, adiou para o dia 21 de maio, às 19h30, o espetáculo “Uma noite portuguesa”, com a apresentação da fadista portuguesa Maria Alcina, radicada no Brasil. A apresentação acontece como forma de homenagear os 60 anos de carreira da cantora. No repertório, Maria Alcina promete cantar o melhor do fado e garante que haverá espaço também para a música brasileira. Inicialmente, o show estava previsto para o dia 17 de março, mas, em virtude da pandemia de coronavírus, e cumprindo a determinação do Ministério da Saúde, o estabelecimento modificou a data.

“As minhas expectativas são as melhores possíveis. Espero que o Teatro Rival receba um bom público, com muitos portugueses na plateia, porque, ultimamente, o fado tem sido mais apreciado pelos brasileiros. O fado é muito amado no Brasil, porém, não há divulgação desse estilo no País”, comentou Maria Alcina.

Para a artista, todos esses anos dedicados ao fado guardam muitas recordações positivas, como o facto de ter tido a oportunidade de conhecer, no âmbito artístico, todos os estados brasileiros, além de ter mantido uma casa de fados em Ipanema, onde cantava ao lado do cantor António Campos e onde recebia grandes cantores brasileiros e portugueses, além de grupos folclóricos portugueses e autoridades dos dois países.

Alcina destaca ainda a digressão de um mês no Casino Estoril, em 1974, a atuação no musical “Navegar é preciso”, ao lado do ator lusitano Tony Correia, bem como o momento em que foi a primeira mulher a dar o famoso grito de saída da escola da samba Unidos da Tijuca, em ritmo de fado, em 2002, na Marquês de Sapucaí, palco do carnaval carioca.

Diversidade cultural

Para os gestores do teatro, o concerto de Maria Alcina será uma boa maneira de celebrar a riqueza da conexão musical entre Brasil e Portugal.

“Apesar de ter o espírito carioca no seu ADN, o Teatro Rival Refit é uma casa sempre aberta a todos os tipos de manifestações culturais e géneros artísticos. A cultura portuguesa influenciou profundamente a nossa cultura. Afinal de contas, foi no Rio que a Corte Portuguesa se instalou, trazendo os seus costumes, os seus hábitos, a sua gastronomia, os seus valores. A nossa música também recebeu influência da música portuguesa. Um bom exemplo é o choro, género genuinamente brasileiro, nascido da mistura da música erudita europeia – trazida pelos portugueses – e dos batuques africanos – vindos com os escravizados. Herdamos do sangue lusitano uma boa dose de lirismo – como já disse Chico Buarque na canção “Fado tropical” –, esse lirismo tão presente no fado e que encontrou abrigo no coração carioca. Então, a nossa expectativa em relação à apresentação da grande Maria Alcina é a melhor possível. Será uma honra, uma felicidade e, com certeza, um sucesso”, afirmaram os responsáveis pelo equipamento cultural.

“Agradeço ao Teatro Rival pela oportunidade e pelo carinho em me homenagear com essa apresentação”, finalizou a fadista.

Currículo reconhecido internacionalmente

Com mais de 60 anos de carreira, Maria Alcina é considerada a Imperatriz do fado no Brasil. Dona de uma voz potente, a cantora está profundamente ligada à divulgação da cultura lusitana no Brasil e em outros países da América do Sul.

Maria Alcina nasceu em 12 de março de 1939, na Aldeia de Cetos, concelho de Castro Daire, distrito de Viseu, em Portugal. Mudou-se para o Brasil ainda jovem, com apenas 15 anos de idade. No Rio de Janeiro, começou a cantar fado e fez do estilo musical mais característico de Portugal uma autêntica forma de vida.

Durante a sua vida artística, Alcina atuou com grandes nomes do fado, como Amália Rodrigues e Carlos do Carmo. Cantou em casas no eixo Rio-São Paulo e teve a sua própria casa de fados, “A Desgarrada”, na zona Sul carioca. Maria Alcina é presença frequente em programas de televisão, radiofónicos e chegou a ter o seu próprio programa de rádio. Lançou LPs, compactos, dois CDs, DVD e foi protagonista, em 2015, do livro-reportagem “Maria Alcina, a força infinita do Fado”, de autoria do jornalista luso-brasileiro Ígor Lopes.

A fadista participou também em peças de teatro e foi personagem em documentários premiados pelos críticos. É detentora de diversos prémios e distinções. Participou em telenovelas, minisséries e assinou a banda sonora de muitos trabalhos televisivos.

Apaixonada pelo Brasil, Alcina vive no Rio de Janeiro. É mãe de três filhas e viúva do empresário português João Duarte. ■

Os bilhetes podem ser adquiridos através do link abaixo:

https://bileto.sympla.com.br/event/64293/d/81190

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