Fadista Ciça Marinho utiliza o fado para promover Portugal no Brasil

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Ciça Marinho está preparando novo CD
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Ciça Marinho é dessas artistas que não escondem o amor pelos seus antepassados. Com ligações profundas a Portugal, essa cantora luso-brasileira, residente em São Paulo, utiliza o fado para expressar o seu amor pelo país de além-mar. No currículo, Ciça guarda apresentações no Brasil e em Portugal e conta com uma discografia que comprova o seu desígnio em difundir, cada vez mais, o fado, património imaterial da humanidade. Conversamos com essa cantora, que nos contou sobre a sua carreira, os principais êxitos, falou sobre novos projetos e defendeu a eterna ligação Brasil-Portugal.

Como iniciou na música?

O meu sonho sempre foi cantar, desde muito pequena. Participei em alguns programas de calouros quando criança, mas, quando era convidada a voltar, o meu pai não permitia. Depois, já madura e com filhos adolescentes, decidi fazer faculdade de Psicologia e, no final do primeiro ano, resolvi que iria cantar. Assim, em junho de 2020, irei completar 23 anos de carreira.

Como está constituída a sua equipa em palco?

Basicamente, violão e guitarra portuguesa. Porém, em eventos maiores, temos percussão, acordeon e/ou flauta.

Como se caracteriza como artista e cantora?

Como uma pessoa que gosta do que faz e faz com muito amor. Uma profissional que procura se aprimorar a cada trabalho.

É também compositora ou apenas intérprete?

Tenho algumas composições, inclusive gravadas, mas componho esporadicamente em momentos de inspiração.

Por que escolheu o fado para interpretar a sua arte?

Porque o fado é uma canção que me emociona, que me remete às minhas raízes, é a minha identidade.

Onde ocorrem as suas apresentações?

Canto semanalmente em restaurantes típicos portugueses no Brasil e mantenho apresentações diversas. Tenho feito também alguns trabalhos em teatros do Serviço Social do Comércio (SESC). O meu público é amplo. O meu trabalho é acompanhado por portugueses, lusodescendentes e pessoas de outras culturas que apreciam o fado.

Já fez apresentações fora do Brasil?

Já fiz apresentações em Portugal em dois eventos particulares na Guarda e em duas casas de fado em Lisboa: “Mesa de Frades” e a extinta “Adega Mesquita”.

Tem CD’s ou DVD’s produzidos?

Tenho três CD’s e um DVD: “Ao Vivo” (CD e DVD gravados em 2008); “Minhas Raízes” (2010) e “Além-Mar, Além de Mim” (2012).

Que projetos tem em mente?

Este ano irei lançar um novo álbum que foi produzido por Jorge Fernando (músico, compositor, fadista e produtor português) e gravado uma parte em Lisboa e outra parte em São Paulo. Esse trabalho conta com letras de Jorge Fernando e duas canções de Fábia Rebordão (fadista portuguesa) com participação da mesma numa das músicas que, inclusive, dá nome ao álbum: “Fado Trocado”. À guitarra portuguesa está José Manuel Neto (português), um grande expoente nesse instrumento. Esse trabalho conta também com uma composição minha e uma do fadista e compositor Pedro Vilar.

Que canções marcam a sua carreira?

A minha maior referência foi Amália Rodrigues. Como exemplos: Foi Deus, Estranha forma de vida, entre outros, além de composições de Jorge Fernando, bem como marchas de Lisboa e folclores.

Que composições fazem mais sucesso diante do seu público?

O repertório de Amália como “Nem às paredes confesso”, “Canção do mar”, “Casa Portuguesa”. Porém, atualmente, o repertório de algumas fadistas contemporâneas já é bem pedido como da Mariza, da Ana Moura e de Carminho.

O que sente quando está em palco?

Sinto-me viva. É algo que transcende. Em palco a minha emoção está à flor da pele. É uma troca, eu me doo e a energia do público transparece no meu canto.

De que forma aconteceu a sua ligação a Portugal?

Sou filha de portugueses, minha mãe é da região da Beira-Alta e o meu pai é do Minho. Sempre fui ligada às histórias dos meus antepassados, à cultura, às tradições e valores. Tenho orgulho de ser filha de quem sou. Nas minhas veias corre o sangue lusitano. O meu coração é brasileiro e minha alma é portuguesa.

Como enxerga a ligação Brasil-Portugal?

Atualmente, sinto um movimento crescente na troca de culturas. Portugal sempre recebeu bem a música brasileira, mas, no Brasil, a música portuguesa era mais difundida na própria colônia. Hoje, percebo que o fado está tendo mais abertura. Muitos artistas portugueses fazem concertos pelo País, atores estão em novelas brasileiras, músicas fazem parte da banda sonora das novelas, além da gastronomia ter muita procura.

Que mensagem deixa para a comunidade luso-brasileira?

Que não deixem que a nossa cultura esmoreça, valorizem as nossas raízes passando de geração em geração os valores e o orgulho de sermos descendentes de portugueses. A nossa identidade é aquilo que aprendemos com os nossos pais.

Por fim, quem é a Ciça Marinho?

Sou uma pessoa que, desde a infância, nunca desistiu dos sonhos. Sempre fui persistente e otimista. Amo a vida, a família, a música e sigo de acordo com os valores que aprendi com os meus pais.

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